Quer sair do Brasil durante o Carnaval? Saiba como é a comemoração no Uruguai, Bolívia, Argentina, Peru e Colômbia

Considerada uma das festas mais populares, animadas e representativas do mundo, o Carnaval tem origem no entrudo português – antiga celebração que acontecia três dias antes da Quaresma. Naquela época, as pessoas jogavam água, farinha e ovos uma nas outras e tinha a liberdade como principal significado.

 

A festa no Brasil é, sem dúvidas, uma das mais conhecidas no mundo. Ela acontece em diversas cidades, como Recife, Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro. No entanto, essa celebração não existe apenas para os brasileiros. Argentina, Uruguai, Peru, Colômbia e Bolívia também comemoram o Carnaval. As populações desses países festejam de forma diferente, apegados às raízes culturais.

 

Passar o feriado comemorativo em um desses destinos da América do Sul é uma experiência inesquecível. Afinal, nesses países, o Carnaval não é sinônimo de samba e sim de resgate histórico, celebrações sem competições, performances teatrais e muita cultura. Confira:

 

Uruguai

carnaval

O Carnaval no Uruguai é um dos mais compridos do mundo. Lá a festa dura cerca de 40 dias e se espalha por todo o país. As principais atividades são realizadas na capital, Montevideo.

 

Na maioria das vezes, o Carnaval no Uruguai começa na metade de janeiro e vai até a primeira semana de março. No entanto, conforme o calendário local, apenas dois dias são feriados.

 

A festa começa com um belíssimo desfile pela Avenida 18 de julho, em Montevideo. Em paralelo, acontece também as Ilamadas, onde as pessoas caminham pelas ruas carregando influências de culturas africanas que desembarcaram no Uruguai pela força da escravidão – da mesma forma que acontece no Brasil. Esse período deixou uma herança cultural que permanece até hoje com muita alegria, celebrada no país inteiro: o candombe – ritmo composto com tambores e percussões.

 

Além disso, as cidades ficam repletas de palcos improvisados, chamados de tablados, onde acontecem as intervenções artísticas, principalmente pelas murgas, – grupos formados com 15 a 20 pessoas se apresentam em uma mistura de teatro e musical, caracterizadas por humor e crítica política e social.

 

A população uruguaia leva o Carnaval muito a sério, sendo que até um museu sobre a festa foi criado. Chamado Museo Del Carnaval, o local foi aberto em 2006 e fica ao lado do Mercado Del Porto – destacando-se entre os prédios cinzas da região. Lá é possível encontrar diversos utensílios de outros Carnavais, além de textos explicativos sobre os elementos que compõem a comemoração tradicional de Montivideo.

 

A entrada para o museu custa em torno de 65 pesos e fica aberto de terça à domingo, das 11h às 17h.

 

Bolívia

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Na Bolívia, o Carnaval é comemorado durante vários dias, tendo início 4 dias antes da Páscoa. Cada cidade se organiza para um desfile, onde mais de 28 mil pessoas dançam em diferentes ritmos populares e folclóricos. Lá a comemoração carrega a própria história do país com roupas, letras de músicas e encenações artísticas.

 

A abertura do carnaval é chamada de “Entrada Del Carnaval” e qualquer pessoa fantasiada pode participar. Além disso, também são realizados rituais como a Ch’alla – uma oferenda à Mãe Terra, Pachamam, em forma de agradecimento pelos favores recebidos.

 

A “Entrada Del Carnaval” varia de acordo com a região do país, sendo que cada festa tem sua particularidade. As principais são as de Tarija, Oruro e Santa Cruz.

 

Em Oruro, por exemplo, o Carnaval relembra o passado envolvendo a trajetória do povo com influências impostas pelos colonizadores.

 

A Diablada é o espetáculo mais tradicional e famoso, onde a adoração aos deuses nativos e a imposição religiosa da Europa ficam em evidência – simbolizando a batalha entre o bem, Arcanjo Miguel e a Virgem da Candelária com suas 7 virtudes, e o mal, Lúcifer, os diabos e os sete pecados capitais. Atualmente é possível ver o Arcanjo Miguel à frente do desfile, dirigindo os perdedores da luta: os diabos arrependidos, que se vestem com traje criado especialmente para a ocasião.

 

Argentina

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O Carnaval na cidade Entre Ríos, Argentina, reúne mais de 200 mil pessoas. Diferente do Brasil, a festa Argentina é mais próxima da tradição europeia. Lá as pessoas se inspiram em personagens do teatro popular italiano, como a Colombina e o Pierrô.

 

Os foliões se reúnem no “Corsódromo”, uma espécie de sambódromo, embalados pelo ritmo das murgas – grupos formados nos bairros da cidade -, e acontece desfiles ou apresentações ao som de bandas de percussão.

 

Atualmente, são mais de 180 murgas na capital e cada uma possui um laço forte com os bairros de onde nasceram. Entre as mais famosas estão: “Los Cornetas de Boedo”, do bairro Boedo; “Los Mismos de Siempre de la Paternal”; Los Reyes del Movimiento”; e “Los Amantes de La Boca”, do bairro La Boca – extinta por problemas financeiros.

 

O “Carnaval del País”, realizado em Gualeguaychu, é o principal e mais famoso na Argentina. A festa conta com uma mistura de Carnaval brasileiro com o uruguaio. Os desfiles são parecidos com o do Brasil, compostos por carros alegóricos e fantasias.

 

Nas cidades de Corrientes, Salta, Jujuy, Cidade de Buenos Aires e San Luis também é possível encontrar festas típicas argentinas.

 

Peru

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No Peru, o Carnaval dura o mês de fevereiro inteiro e é marcado pelas festividades Andinas, além de ser um dos mais culturais encontrados na América do Sul.

A comemoração se espalha por todo o país, principalmente nas cidades de Rioja, Cajamarca e Ayacucho.

 

Com muita alegria, a população peruana comemora com um ritual típico da festa, chamado de Yunza – “umisha” na selva e “cortamonte” no litoral. Lá as pessoas plantam uma árvore grande em algum lugar do país, rodeada de presentes e brindes. Em seguida, é feita uma dança ao redor do yunza. A ideia principal é que se corte a árvore de forma que ela caia e o casal que conseguir fazer isso a tempo, será responsável pela organização do yunza no próximo ano.

 

Além disso, assim como no Brasil, as pessoas saem às ruas, formando blocos de Carnaval, dançando, cantando e tocando diferentes instrumentos musicais. Também são comuns algumas brincadeiras com água, tinta, talco e etc.

 

Colômbia

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O Carnaval de Barranquilla, uma cidade na região caribenha, é a melhor festa da Colômbia e acontece no primeiro trimestre de cada ano, alguns dias antes da quarta-feira de Cinzas. No entanto, o pré-carnaval começa na metade do mês de janeiro, composto por blocos de rua, dança, desfiles e foliões animados.

 

A festa colombiana é marcada por desfiles de carros alegóricos, um rei momo e uma rainha, que recebe do prefeito as chaves da cidade e se torna autoridade, além de bandas folclóricas e artistas internacionais. O que o diferencia do Carnaval brasileiro são os ritmos, roupas e tradição secular. Acredita-se que a origem da festa se deu ao final do século XIX e pelas influências da região do Caribe.

 

Tudo começa com um desfile comandado por dois soberanos e chuva de flores – chamada Batalla de Flores. Além disso, há também danças e fantasias, e o público participante recebe flores da rainha e do rei momo em uma celebração que dura quase 6 horas. No domingo, acontece um desfile folclórico, na segunda-feira são apresentadas diversas orquestras e a festa se encerra com um velório encenado.

 

Os eventos acontecem quase todos os dias, mas os mais importantes ficam para os finais de semana, contagiando toda a cidade. O Carnaval na Colômbia é mais do que uma atração turística, é um orgulho nacional. E, por conta dessa importância, em 1992 foi criada a Fundação Carnaval de Barranquilla – uma organização que trabalha para promover eventos da data e fortalecer a imagem do Carnaval, além de atuar em projetos sociais.