A última versão da pesquisa apontou o real como uma das “moedas mais caras do mundo”

O sanduíche mais famoso do planeta, o Big Mac da rede de fast food McDonald’s, deu origem a um indicador econômico: o Índice Big Mac, também conhecido como Big Mac Index.

 

Para quem não conhece, esse índice foi criado pela revista britânica The Economist, em 1986, e é atualizado semestralmente. A pesquisa tem como principal objetivo comparar os preços do Big Mac em diversos países e, com isso, conseguir analisar o custo de vida em cada lugar – ou seja, apontar quais moedas estão mais valorizadas em relação ao dólar americano.

 

A ideia desse índice é usar essa comparação para analisar a chamada “Paridade do Poder de Compra”, ou seja, saber o que é possível comprar com o dinheiro de um determinado país.

 

Para conseguir isso, a The Economist escolheu o Big Mac, pois é um produto que está presente em mais de 120 países – além de ser vendido de forma praticamente igual e com a mesma receita, sendo que a única diferença é o local onde os ingredientes são produzidos.

 

Ajustado em janeiro de 2017, a The Economist – que utiliza os preços de venda do lanche para medir a valorização cambial do mundo – divulgou a versão mais atualizada do Índice Big Mac. Nela, o real aparece, após dois anos, com sobrevalorização de 1,1% ante subvalorização de 5,1% em julho de 2016. O Brasil tem o quinto Big Mac mais caro do mundo. O sanduíche custava, em janeiro, US$ 5,12 (R$ 16,50) no Brasil, sendo que no Egito o preço era de US$ 1,46 (R$ 5,00) – a taxa de câmbio utilizada na pesquisa foi de R$ 3,22.

 

A última vez em que o real esteve sobrevalorizado foi em janeiro de 2015 (8,7%).

 

Nessa versão, entretanto, não se leva em consideração a capacidade financeira da população de cada país. A própria The Economist diz que é de se esperar que um hambúrguer seja mais barato em países em que a renda média é menor. Ou seja, se todos os lugares do mundo tivessem a mesma renda média, o real seria uma das moedas mais valorizadas do mundo no momento.

 

Por exemplo, a renda média mensal no Egito é de R$ 500, já no Brasil são de R$ 2.500. Neste caso, a renda dos brasileiros é cinco vezes maior. Assim, um sanduíche que tem ingredientes modestos como dois hambúrgueres, alface, queijo, cebola, pepino e pão, acaba custando menos no Egito – fazendo com que o lanche final tenha um preço mais baixo, por conta do quanto se gasta com cada ingrediente.

 

Confira a tabela:

Índice Big Mac

A revista acompanhou os preços dos lanches Big Mac em 48 países e constatou que a moeda mais frágil é a libra egípcia (subvalorizada em -71,1%), seguida da grívnia ucraniana (-69,5) e do riggit malaio (-64,6%). Na América Latina, o peso mexicano também está subvalorizado em 55,9%.

 

Como se pode ver na tabela, além do real, outras 4 moedas estão sobrevalorizadas em relação ao dólar americano: o franco suíço (25,5%), a coroa norueguesa (12,0%), a coroa sueca (4,0%) e o bolívar venezuelano (3,7%).

 

Com isso podemos dizer que esse é o período certo para viajar para os países que, segundo o Índice Big Mac, possuem maior poder de compra. Ou seja, para os destinos que estão abaixo do Brasil na tabela atualizada.

 

Optar por um país em que a moeda local esteja mais fraca em relação aos Estados Unidos tornará a viagem mais vantajosa. Assim, você poderá comprar mais produtos com valores ainda mais baixos.