Entenda os impactos do resultado da eleição norte-americana nas economias mundiais

Surpreendente foi o termo usado pela Infomoney ao reportar a vitória do mais novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “O mundo em choque” foi estampado na primeira página do Huffpost Brasil. “Surpreende” e “atropela previsões” estavam, respectivamente, nas páginas do O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, jornais fortes do Brasil. Afinal, o que esse novo mandato pode acarretar para que os principais veículos de comunicação do país tivessem tais reações de imparcialidade?

 

Para tal compreensão, é necessário saber quem é essa pessoa e o que representa o Partido Republicano.

 

Donald John Trump tem 70 anos e é um bilionário empreendedor do ramo imobiliário, considerado um magnata dos negócios americano. Além disso, sua carreira o levou a escrever sobre como enriquecer: “A Arte da Negociação” (TRUMP, 1987), por exemplo, chegou a ser um dos livros mais vendidos dos EUA. Na mídia, Trump destacou-se mais pela emblemática frase “Você está demitido! ”, no programa americano “O Aprendiz”, o qual ganhou uma versão brasileira com o empresário Roberto Justus.

 

Trump se envolveu com a política em 2015, quando obteve apoio e estrutura para anunciar sua candidatura para as eleições presidenciais de 2016, pelo Partido Republicano. O partido nasceu em 1854 por abolicionistas. O primeiro presidente que o representou foi Abraham Lincoln, e o último foi o ex-presidente Jorge W. Bush, em 2009. Os republicanos zelam pelo conservadorismo, tanto fiscal quanto social.

 

Ao se eleger, Trump fez discursos durante sua campanha que foram condenados tanto por parte de políticos quanto da mídia. Entre tantos, é válido citar o caso do México entre os assuntos que mais geraram polêmica, pois afirmou que construiria um muro entre os dois países.

 

Hoje, o resultado da eleição foi contra o esperado por parte dos analistas do mercado financeiro e todo o mundo acordou sob o efeito Trump. Na última semana, a economia mundial já tinha se desestabilizado com a possibilidade desse efeito: o dólar comercial subiu por conta das pesquisas de intenção de público, nas quais o republicano estava à frente da democrata Hillary Clinton. Já os juros de curto prazo recuaram na Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) enquanto os de investimento futuro avançavam.

 

Entretanto, o receio do mercado financeiro mundial vem das ideias protecionistas de Trump, que, se forem executadas, impactará o mundo inteiro, mas, principalmente, as moedas mais fracas, como o real. “Se essas políticas realmente forem executadas, o nível de atividade de comércio exterior brasileira vai diminuir, afetando a economia do país”, afirma Fernando Pavani, CEO e fundador da BeeCâmbio, correspondente cambial online.

 

Entre essas ideias, o presidente eleito nos Estados Unidos já afirmou que gostaria de cobrar taxas de 45% aos produtos importados da China e 35% aos mexicanos, de forma que a compra de produtos nacionais fosse estimulada. Além disso, diminuir os impostos das indústrias e aumentar o gasto público com a indústria bélica também fazem parte de seus planos.

 

No dia de hoje, as bolsas ao redor do mundo amanheceram com seus números despencando. Com a incerteza sobre o futuro da maior economia mundial, o risco dos países já tidos como de risco, principalmente de economias potenciais como Brasil, México e Índia – são ainda maiores. “O cenário faz com que investidores tirem o dinheiro do país, provocando a desvalorização de suas moedas perante o dólar, que, mesmo correndo riscos, ainda é a moeda mais forte do mercado financeiro mundial”, completa Fernando Pavani.

 

No Brasil, o Ibovespa teve queda de 1,40%, já o Nikkei, índice que corresponde a bolsa de valores japonesa, teve queda de 5,36%. Xangai caiu 0,62%. O peso mexicano sofreu bastante e chegou a bater 12% de queda, mas fechou o dia com recuo em 8,54%.